Entrei no Top 10 da maior revista do mundo… e não foi por pousar errado
- GABRIEL JANSEN
- 30 de jul.
- 2 min de leitura
Com só quatro anos de voo, acabei disputando o título com os melhores atletas do planeta. A Red Bull X-Alps virou história — e eu virei manchete.
Tem dias em que você acorda e duvida de si mesmo.E tem outros em que você acorda, pega o celular meio zonzo e lê a seguinte notificação:"Você foi citado entre os 10 momentos mais marcantes do Red Bull X-Alps pela maior revista de voo livre do mundo."
O gosto? Uma mistura fina de "não era sorte, era treino", com o tempero picante do "peraí… isso tá mesmo acontecendo?" E o subtítulo da matéria? “O Brilhantismo Brasileiro.”Sim, você leu certo. Brilhantismo. Brasileiro. Não era “a promessa sul-americana”. Nem “o guerreiro resiliente”. Muito menos “o atleta revelação”.
Era brilhantismo — aquela palavra que carrega peso, luz, e um tipo de respeito que não se ganha por acaso. E ali estava meu nome. No meio de gigantes que têm o dobro de tempo de voo, patrocinadores do tamanho de uma montanha e logísticas de equipe que mais parecem produções da Netflix.
E eu, com 4 anos de voo, uma mochila pesada nas costas, a cara suada, e uma vontade absurda de provar que pertencemos a esse lugar — o topo.
Naquele dia, durante a prova, tudo encaixou. As pernas respondiam, o cérebro calculava, e o parapente… bem, ele dançava com o céu como se a gente tivesse ensaiado por uma década. De repente, eu estava liderando a corrida mais insana do mundo, lado a lado com atletas que já tinham trocado mais célula de vela do que eu de pneu de carro.
Sabe aquele meme do "como eu vim parar aqui"? Era eu.
Mas a resposta era clara: coragem, planejamento e um monte de treino (com pitadas de loucura saudável e uma equipe que acreditava mais em mim do que eu mesmo às vezes).
Ser citado nessa lista não é só sobre ego (ok, talvez um pouquinho).
É sobre mostrar que o Brasil tem força, tem talento, tem estratégia. Que mesmo com menos recursos, a gente chega. E quando chega… brilha.

Obrigado a todos que acreditaram, vibraram e seguraram a bronca comigo. Obrigado à revista que escreveu a matéria e me deu esse espaçinho singelo que eu ainda tô tentando processar. E obrigado a mim mesmo — ao “eu” que, há quatro anos, resolveu correr riscos grandes, botar o sonho acima da zona de conforto e voar. Literalmente.
A jornada continua.E se vier mais manchete, beleza.Mas se não vier, que continuem vindo os voos que fazem a alma vibrar. Porque, no fim, isso sim é o verdadeiro brilhantismo.
– Gabe
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